A importância de um retiro | The importance of a retreat

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"Um retiro, é um atalho! É o recolhimento antes do crescimento. É o casulo que metamorfoseia a nossa existência. É a viagem psicadélica com acesso à enteogenia espiritual guardada bem dentro do nosso ser. É o amor e o reconhecimento de nós próprios no todo. É encontrar o porto ao qual chamamos casa."

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Não é à toa que aqui, na Dharmadhatu, fazemos retiros. De facto, existem mil e uma razões para se organizar um retiro, e existem ainda mil e uma razões para entrar no desafio de fazer um. No entanto, são poucos os que são agraciados com a possibilidade de se retirar para uma verdadeira descoberta espiritual. É preciso estar pronto, preparado, aberto ao reconhecimento do que somos para lá dos véus da ilusão, designados por Maya, nos textos antigos.

Não é por o retiro ser algo de extrema dificuldade. Nem sequer é pelas práticas exóticas ao estilo yogi nele executadas... Um retiro, é uma busca ansiosa por um fim, um objectivo, um entendimento profundo que vai para lá da superficialidade da vida no seu dia-a-dia. Um retiro, é essa demanda interna por um significado maior, que sacie a alma e não os sentidos. É termos o prazer, a benção e o privilégio de pararmos a roda da vida e à parte dessa movimentação em samsara, sermos capazes de nos recolher ao ponto de nos definirmos - para lá da aparência, para lá das interações mundanas que nos guiam na nossa cegueira e nos moldam em materiais menos nobres, encontrados aqui e ali nas oportunidades externas que a vida vai mostrando e que, vamos aceitando sem questionar.

Um retiro, permite-nos questionar e entender a natureza interna. E, a partir dela, dessa matéria-prima fundamental que nos compõe, sermos capazes de moldar o mundo à nossa volta, à nossa imagem, como o ser senciente que somos e que por vezes, emaranhados nesta trama de burocracia espiritual talhada pelo nosso karma, nos enreda e nos deixa à deriva, num mar de sofrimento apático e consentido.

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Um retiro, é um atalho! Aquele atalho que só os mais corajosos têm capacidade de seguir, pois traz consigo o desconhecido, o perigo da realidade, os medos escondidos nos nossos becos sem saída internos, o enfrentar dos perigos trazidos pela nossa natureza mais selvagem, o receio de chegar ao fim e entender que ainda agora começa o caminho. É o recolhimento antes do crescimento. É o casulo que metamorfoseia a nossa existência. É a viagem psicadélica com acesso à enteogenia espiritual guardada bem dentro do nosso ser. É o amor e o reconhecimento de nós próprios no todo. É encontrar o porto ao qual chamamos casa.

Não é à toa que fazemos retiros. Porque já os vivenciamos antes vezes e vezes sem conta. Sozinhos, um com o outro, com muitos! Já fomos a essas instâncias as vezes suficientes para saber onde nos levam e às vezes, sentimo-nos confortáveis em levar gente connosco.

E nos retiros que organizamos, lembramo-nos da árvore espiritual que somos, harmonizando a força das nossas raízes com a vastidão dos nossos ramos e folhas. Abrimos a nossa seiva ao encontro do sol, ligando corpo e espirito, nutrindo ambos, cuidando ambos, veículando ambos. Sabendo que somos os promotores desse recolhimento, e fazendo-o com a confiança de já lá termos estado, vezes sem conta.

De 1 a 4 de Agosto, alguns audazes que se aventuram no atalho que lhes encurta o caminho que os leva ao ínicio do caminho, poderão encontrar este momento. Onde o trabalho cessa, a mente cessa, o corpo se expressa, e o ser se reconhece. Para lá do que aparentamos... Sendo o que nascemos para ser.

Por Luzia Peixoto | Professora de Yoga |Co-fundadora Dharmadhatu


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Retiro Devayana Marga - 1 a 4 de Agosto - vagas limitadas