Indian Log #1 - Himalayas - To donate and to Serve | Doar e servir (PT)

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Hoje foi dia de visitarmos uma escola. 45 crianças estudam lá. Todos os dias, o Baba, nosso querido Guru, fornece-lhes 45 refeições. Todos os anos, recebem uma mochila e um guarda chuva. Todos os meses, Sabonete, pasta dos dentes... São acompanhados por um médico e são lhes doadas medicinas…

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Vivem numa aldeia onde as ruas têm meio metro de largura e se debruçam por entre as montanhas verdes e cascatas que cruzam as pequenas ruas dos Himalayas. De vez em quando, pomos os pés dentro de água ao passar nos caminhos regados pelas abundantes cascatas que correm quase verticais nestes declives. Avistamos majestosos macacos, que rapidamente se escapam nas escarpas escorregadias e verde musgo de uma montanha pouco estável, onde as derrocadas são constantes e os montes de pedra estão à espera, amontoados nas estradas principais, para que se construam muros que segurem encostas a pique tão commumente dilaceradas pelas fortes chuvas das monções.

Green Himalayas

Durante a noite de hoje, a trovoada ribombou tão alto que as paredes do quarto em que ficamos estremeceram… Mas a chuva é agraciada por uma temperatura perfeita que permite que todos os elementos se conjuguem em equilíbrio, para vivermos a perfeição. Aqui, onde um estado de graça surge naturalmente, onde a meditação acontece sem esforço, onde o rio Saraswati conflui com Kali para nos inebriar com a forte sonoridade do seu correr... O constante fluir das águas faz-nos sentir a impermanência da vida. Mas aqui, nestas montanhas, tudo faz. Uma montanha tão viva que dia para dia se modifica, as estações precipitam-se umas sobre as outras e permitem-nos ora ter a visão majestosa das montanhas nevosas ao fundo, ora ter as nuvens a correr-nos em frente aos olhos, com chuva grossa e quente que alaga os caminhos e nos faz sentir que os guarda chuvas se tornam por vezes, obsoletos.

Aqui nos Himalayas, podemos perceber como é duro ter acesso a quase tudo aquilo que nós ocidentais sentimos ser básico. As prioridades ainda não chegam às infra-estruturas porque antes disso, ainda há pessoas que precisam de alimento, educação, cuidados médicos. Olho à volta, e com as nossas lentes ocidentais, poderia debruçar-me na dureza destas vidas. Mas depois de uns bons dias aqui, percebo que esta simplicidade os faz mais felizes. As crianças vivem e brincam na rua. Joga-se ao mata, com uma bola reutilizada de trapos. Olho para eles e tenho saudades… Os meus filhos não sabem o que é jogar ao mata na rua…

Girl with her sister at Himalayan school medical examination

Na escola que visitamos, as crianças variam entre os 3 e os 10 anos. Olho particularmente para uma menina que carrega ao colo a sua irmã pequenina, de cerca de dois, três anos. Cuida dela como uma mãe, não a largando, dando-lhe colo. São crianças que falam “Hinglês" como eles dizem (tal como o Portinhol), mas têm um sorriso na cara e sabem os mantras de cor e perfilados cantam-nos com orgulho. Hoje, estivemos com eles. Cada um de nós teve a possibilidade de distribuir alguns kits com mochilas, sabonetes, guarda chuva... Assistimos à sua refeição, diariamente doada, e a minha filha pequena ainda deu um rebuçado que trouxemos de Portugal, a cada um deles... Tínhamos 35 rebuçados para 45 crianças... Demos prioridade aos mais novos…

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O Baba levou um projector. Projectou-se um filme com 15 minutos sobre um menino indiano que via em tudo uma oportunidade. Era empreendedor. "Ambani, the investor" era o nome do filme e ganhou prémios internacionais. Consegui perceber o porquê... No meio desta simplicidade difícil em que vivem, as escolhas são poucas, as opções mínimas… E qualquer sinal de esperança pode fazer toda a diferença nestas mentes. Estes que visitamos, têm uma sorte acrescida - a umas poucas centenas de metros da sua escola, vive um homem renunciante, com um coração de ouro. Que nos recebe como se fossemos seus. E que enche de brilho o olhar destas crianças.

Hoje sinto me grata! Por estar aqui. Por perceber que há sempre uma mão que se estende àquele que precisa. Por perceber que um homem santo ou sadhu, um renunciante, sannyasi, escolheu o serviço - seva. Como ele, muitos outros. De uma missão ainda maior que suporta esta. Que descentraliza para chegar a todos. Sannyasis que meditam, mas não se fecham ao mundo mas antes o servem. Cumprindo o sonho de Vivekananda… Sendo ferramentas de Thakur, Deus, crendo a sua existência como inexistente e meramente um vislumbre do divino que se perpetua em multiplicidade de caminhos de vidas, e que no caso deles, se afinou em consciência una. O que se aprende quando se conversa com uma alma destas! Que ideal se sobrepõe e se sustenta em exemplo quando nos permitimos conviver profundamente com o seu simples e tão inatingível modo de pensar…

Hoje, vi os meus filhos entenderem a importância de ajudar, a importância de ter e dar uma oportunidade. Estou feliz e grata! Neste sítio dos Himalayas, do qual não revelo o nome para que se perpetue o sossego, a simplicidade e a pobreza são revestidas de oportunidade, amaciadas pela bondade, desveladas pelo serviço. Obrigada por esta oportunidade… Estou rendida à tua força indominável e à tua bondade divina mãe India!

Muito grata! Muito grata!

31.08.2019|Luzia

Happinness

A importância de um retiro | The importance of a retreat

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"Um retiro, é um atalho! É o recolhimento antes do crescimento. É o casulo que metamorfoseia a nossa existência. É a viagem psicadélica com acesso à enteogenia espiritual guardada bem dentro do nosso ser. É o amor e o reconhecimento de nós próprios no todo. É encontrar o porto ao qual chamamos casa."

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Não é à toa que aqui, na Dharmadhatu, fazemos retiros. De facto, existem mil e uma razões para se organizar um retiro, e existem ainda mil e uma razões para entrar no desafio de fazer um. No entanto, são poucos os que são agraciados com a possibilidade de se retirar para uma verdadeira descoberta espiritual. É preciso estar pronto, preparado, aberto ao reconhecimento do que somos para lá dos véus da ilusão, designados por Maya, nos textos antigos.

Não é por o retiro ser algo de extrema dificuldade. Nem sequer é pelas práticas exóticas ao estilo yogi nele executadas... Um retiro, é uma busca ansiosa por um fim, um objectivo, um entendimento profundo que vai para lá da superficialidade da vida no seu dia-a-dia. Um retiro, é essa demanda interna por um significado maior, que sacie a alma e não os sentidos. É termos o prazer, a benção e o privilégio de pararmos a roda da vida e à parte dessa movimentação em samsara, sermos capazes de nos recolher ao ponto de nos definirmos - para lá da aparência, para lá das interações mundanas que nos guiam na nossa cegueira e nos moldam em materiais menos nobres, encontrados aqui e ali nas oportunidades externas que a vida vai mostrando e que, vamos aceitando sem questionar.

Um retiro, permite-nos questionar e entender a natureza interna. E, a partir dela, dessa matéria-prima fundamental que nos compõe, sermos capazes de moldar o mundo à nossa volta, à nossa imagem, como o ser senciente que somos e que por vezes, emaranhados nesta trama de burocracia espiritual talhada pelo nosso karma, nos enreda e nos deixa à deriva, num mar de sofrimento apático e consentido.

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Um retiro, é um atalho! Aquele atalho que só os mais corajosos têm capacidade de seguir, pois traz consigo o desconhecido, o perigo da realidade, os medos escondidos nos nossos becos sem saída internos, o enfrentar dos perigos trazidos pela nossa natureza mais selvagem, o receio de chegar ao fim e entender que ainda agora começa o caminho. É o recolhimento antes do crescimento. É o casulo que metamorfoseia a nossa existência. É a viagem psicadélica com acesso à enteogenia espiritual guardada bem dentro do nosso ser. É o amor e o reconhecimento de nós próprios no todo. É encontrar o porto ao qual chamamos casa.

Não é à toa que fazemos retiros. Porque já os vivenciamos antes vezes e vezes sem conta. Sozinhos, um com o outro, com muitos! Já fomos a essas instâncias as vezes suficientes para saber onde nos levam e às vezes, sentimo-nos confortáveis em levar gente connosco.

E nos retiros que organizamos, lembramo-nos da árvore espiritual que somos, harmonizando a força das nossas raízes com a vastidão dos nossos ramos e folhas. Abrimos a nossa seiva ao encontro do sol, ligando corpo e espirito, nutrindo ambos, cuidando ambos, veículando ambos. Sabendo que somos os promotores desse recolhimento, e fazendo-o com a confiança de já lá termos estado, vezes sem conta.

De 1 a 4 de Agosto, alguns audazes que se aventuram no atalho que lhes encurta o caminho que os leva ao ínicio do caminho, poderão encontrar este momento. Onde o trabalho cessa, a mente cessa, o corpo se expressa, e o ser se reconhece. Para lá do que aparentamos... Sendo o que nascemos para ser.

Por Luzia Peixoto | Professora de Yoga |Co-fundadora Dharmadhatu


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Clica para mais informações sobre o próximo retiro:

Retiro Devayana Marga - 1 a 4 de Agosto - vagas limitadas

Guru Purnima

The guru

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There is a voice…

who inhabits an unveiled realm of truth... | it sounds like clear water... | the breeze in a frozen peak | the warmth of a sun heated stone… | It has the shape of the shapeless | the form of infinite | and the volume of Akash…

There is a sight…

enlightened by a dark dispeller... | by the eyes of a saint | by the hands of a knower... | It seems like mystic fire | which enhances perception | and feeds the yearning of the seeker...

There is a man

Who strives for divine connection | sanctified by his rites and passages | by lives of devotion and sadhana | Where veils have unveiled | and centered focus can be seen. | His need is to detach from worldly affairs | from realms of form and space | and to merge into the grace...

There is a shadow

A little convenient one | wich blocks the vision of God | and embosses the merge on light... | It insists to become | the challenge of the aspirant | whose mind is not blind | whose eyes are wide open | and whose heart is like a chalice | ready to receive and dissolve | all grains of doubt that still raise in his existence

There is a time

The time where shishya gets ready | after eaons of lifes | through Karmas and Dharmas | mistakes and accuracies | and love in all shapes… | The time when he sits | and inspired by openness he feels and receives | the breeze of that once far frozen peak… | enhanced by the mystic fire that shines and reflects | inside of his heart...

There is a guru

Calmly waiting for the time | When the shadow enclosing this man | is enough subtle to make him | able to see the sight | and hear the voice... | of light... | This dark dispeller | will bless his life | withdrawing the shadow | and revealing the truth |

Evolving and revolving, | The man becomes one | with this astounding ground | of primordial sound. | He connects through his deepest tissues | to all that is beyond | world, love and matter, | finding God by finding you | and understanding | above all growing | when you are ready | you will always find

THERE!**is your guru!**

Luzia | 28.07.2018 |

> Dedicated to my gurus DanielJi, BabaJi, SwamiJi, Sri Ramakrishna and Sri Sarada Devi